Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

19 de junho de 2017

Sol de inverno. Chegando




O sol e eu


O Sol
Astro Rei-na no meu coração.
Enamorado da lua, ofusca-me
 na contraluz do
 seu raiar
Ainda assim,  
o sigo
 a buscar  sob densa névoa,
quando de mim se esconde
 e reaparece,  aqui e acolá.
Não vê que espero no seu abraço,
 aquecer-me do frio intenso
 e penso... no sol do meio dia,
 cascata de orvalho
nas folhas, que decidiram ficar
agarradas aos galhos,
do outono a zombar.
A tardinha porém,
 irei encontrar,
um sol soberano
ainda a  brilhar.
 No horizonte
tons de rosa e lilás.
Dourados nos meus cabelos,
que levo comigo 
até a noite chegar.
Ciúmes da lua
tímida no céu
a nos espiar.
Lourdinha Vilela






30 de maio de 2017

Na paz da poesia

Imagem da Internet.

Reeditando



Ando encontrando espaços dentro de mim.
Estão lá guardando coisas, memórias e sonhos.
-Uma guerreira  encarando frente a frente
traumas adolescentes.
No  campo minado quer explodir agora.
Explosão do que feriu. Meu coração Escarlate.
-Há bálsamos com grande poder de cura
Um  declinar de sol se despedindo, vibrante porém,
aquecendo ainda. É o meu olhar maduro.
E misturando tudo...
-Suspiros  em sinfonia inspirando um norte  de essências,
prelúdio da doce inocência.
-Sou eu vestida de branco. Na paz da poesia.
Se pareço criança, que eu seja então sempre criança.
E que me embale os braços das ilusões.

Lourdinha Vilela

13 de maio de 2017







Coisas para te dizer 


  MÃE


Imagem da Internet.,

Sabe mãe!


A sua voz agora rouca,
muitas vezes baixinha
E mesmo assim,
ainda é, como o declínio do sol,
Um ocaso de infinita beleza 
pois soa tão forte e brilha  dentro de mim...
E eu quero mãe, 
sempre te ouvir,
para aprender de você
 coisas
que um milhão de mundos
não saberiam me dizer

Lourdinha Vilela. 

5 de maio de 2017



Ameaça



"Guarda meu canto em teu coração,
O meu encanto em tua alma,
Ou  faça  parar os  dias,
As horas
Desacelere a ganância do   mundo
Antes que nem mesmo
 As minhas asas
possam me salvar."

Lourdinha Vilela

8 de abril de 2017

À deriva





 Sempre quis desenhar  uma paisagem com barquinho.
  Na minha infância, quando viajava com meus pais pelas  terras de Minas Gerais, eu via os morros ao longe . grandes pedreiras azuladas devido a distância, fios de águas que desciam delas.
. A imensidão das matas  com  árvores floridas, me faziam querer sair do carro, se pudesse, me tornaria um anjo e voaria até lá  para depois descer   tocando  com meus  pés  aquelas estradinhas que   recortavam   o verde.
  De repente a geografia mudava meus sonhos  e  em outro quilômetro qualquer, avistava  barcos à margem dos rios ou riachos e lá meu coração também ancorava, eu eu queria brincar nas águas como um peixinho, ou  conduzir o barco,  remando entre as pedras.


Ao entardecer  tudo ia perdendo as formas, e monstros se formavam  no desenho das árvores,  na 
verdade toda a paisagem ficava para traz quanto mais avançávamos e alcançávamos ao amanhecer  os traços  da vida urbana.


Hoje sou um barco à deriva na cidade grande. 
A imensa paisagem das luzes artificiais não  clareiam minha alma,  e até fazem arder meus olhos
quando choro pelo sonho não alcançado ainda.  O Sonho de morar definitivamente junto a natureza. ouvindo o canto dos passarinhos.  Por enquanto,   O rio  escorre pelo meu rosto.




Lourdinha Vilela.


Imagem da Internet


Essa vontade que as vezes vem,
de interromper,
 o fluxo desse rio de latas  enfileiradas,
que me leva a lugar algum
além de tudo aquilo
que chamam progresso.
 Ingressa nesse mundo,
 estou,
em busca do capital, na Capital.
Melhor estaria no regresso
ao lugar das  minhas  recordações
entre a vegetação.
No rio de água pura
infiltrar meu olhar cansado
e ver
o coletivo que me apraz,
peixes  enfileirados
 coloridos cintilantes
na minha mente refletindo
um pouco de paz,
enquanto o rio,
mansamente
o meu cansaço desfaz.




Lourdinha Vilela
Reeditando